Fisioterapia Uroginecológica

A reabilitação do assoalho pélvico é realizada através de programas de fisioterapia específicos, incluindo técnicas como exercício de reeducação muscular do assoalho pélvico, correção postural, biofeedback, eletroestimulação e utilização de cones vaginais.
O tratamento fisioterapêutico é indicado para portadores de incontinência urinária feminina e pós prostatectomia; dor pélvica crônica, prolapso vaginais; disfunções miccionais infantis; peri-natal, pós-parto; e como coadjuvante no pré e pós-operatório das cirurgias ginecológicas e urológicas.

Os músculos do assoalho pélvico se encontram na região do períneo. São estes músculos que fazem a barreira de proteção inferior da cavidade pélvica que é formada pela cintura pélvica, sendo esta limitada anteriormente pelo púbis, que pode ser palpado logo acima da vulva, lateralmente pelos dois ossos do quadril, que são os ilíacos, estes se articulam posteriormente com o sacro, osso que se articula inferiormente com o cóccix e estão localizados do final da coluna, que podem ser palpados logo acima do ânus.

Pelve feminina

( Fonte: Netter )

Esse grupo muscular exerce influência global no bem-estar da mulher, haja vista a sua direta relação em determinadas patologias como nos casos de incontinência urinária, prolapsos genitais, entre outras. Além disso, um bom desempenho sexual está diretamente relacionado às condições que a musculatura do assoalho pélvico apresenta. Outro fator que depende em grande parte da integridade dessa musculatura é o trabalho de parto que em breve a gestante enfrentará, esse grupo muscular ajuda a manter o peso do bebê, e proporciona condições favoráveis à mulher durante o trabalho de expulsão do bebê da cavidade vaginal.
Na musculatura do assoalho pélvico existem três “aberturas” que são a vagina, a uretra e o ânus, estas aberturas são conhecidas como esfíncter, e toda mulher deve saber controlá-los corretamente. Esses esfíncteres funcionam como válvulas e para que estas válvulas funcionem de forma eficaz, os músculos do assoalho pélvico devem estar bem preparados. A mulher aciona reflexamente os esfíncteres quando realiza as necessidades fisiológicas como ao urinar, defecar ou flatular. Além das já citadas função dos músculos do assoalho pélvico confere a eles ainda a sensação de pressão intravaginal sentida durante o intercurso do ato sexual, logo são responsáveis pelo bom desempenho sexual, fator, em muitas relações determinantes para uma vida a dois, saudável e feliz.

Músculos do assoalho pélvico feminino

Fonte: Netter

Por que é necessário fortalecer os músculos do assoalho pélvico?

Os músculos do assoalho pélvico desenvolvem inúmeras funções benéficas para a saúde da mulher. Entre as mais importantes funções está à manutenção na posição anatômica dos órgãos pélvicos, um bom desempenho sexual e quando bem fortalecidos, a prevenção de patologias. Estes músculos estão sujeitos a sofrerem atrofia, ou seja, enfraquecimento. Haja vista que muitas mulheres não têm conhecimento, ou talvez não se dêem conta da importância desse grupo muscular, muitas não trabalham devidamente essa musculatura, com a realização de contrações voluntárias com o objetivo de fortalecimento.
Com o passar da idade, somada as transformações metabólicas que o corpo da mulher apresenta, associada ao desconhecimento, e em muitos casos, à mulher não se sente devidamente à vontade para conversar sobre esse assunto, sendo assim, muitas mulheres apresentam prolapsos genitais que consiste na descida de órgãos pélvicos, como por exemplo, a bexiga, em conseqüência do enfraquecimento dessa musculatura. Assim a função de sustentação já não existe dificultando o bem-estar físico e psicológico da mulher.
O desempenho sexual poderá ser comprometido com o enfraquecimento dos músculos do assoalho pélvico, pois não mais existirá a sensação de pressão intravaginal, o que dificultará o ato sexual tanto para a mulher quanto para seu parceiro.
Portanto, se faz necessário o fortalecimento dos músculos do assoalho pélvico, com o objetivo de conferir e proporcionar uma melhor qualidade de vida para a mulher.

Fortalecimento dos músculos do assoalho pélvico

Assim como qualquer outro grupo muscular do corpo humano, os músculos que compõem a musculatura do assoalho pélvico podem e devem ser trabalhados, ou seja, devem ser fortalecidos para ser mais um ponto positivo de forma a contribuir para a saúde da mulher.
A musculatura do assoalho pélvico pode ser fortalecida a partir da realização de manobras simples, que consiste na realização de contrações de forma ativa na região do períneo.
Como muitas mulheres não conhecem de fato esse grupo muscular, elas devem ser preferencialmente acompanhadas por uma fisioterapeuta que traçará uma conduta coerente com cada caso e auxiliará no desenvolvimento das manobras de forma correta. Auxiliando também nas distinções dos grupos musculares, ensinando verdadeiramente o que deverá ser contraído, eliminando os riscos da paciente de realizar a contração da musculatura acessória (músculos abdominais e músculos da coxa), ou até mesmo de músculos indesejáveis, mesmo que façam parte da região do períneo.

Além dos exercícios ativos, dos exercícios de kegel que consiste em contrações simples da musculatura do assoalho pélvico, as mulheres podem contar com dispositivos que combinados aos exercícios de contração, que ajudarão na identificação, fortalecimento e conseqüente bom desempenho dos músculos do assoalho pélvico.
Esses dispositivos são conhecidos como cones vaginais, aparelhos para eletro estimulação e biofeedback.

Prolapso genital

Uma das mais importantes funções que os músculos exercem, é a de manter na posição anatômica os órgãos pélvicos. Com o enfraquecimento dos músculos do assoalho pélvico, estes deixam de manter o suporte natural e os órgãos apresentam a tendência de sofrerem prolapsos, ou seja, apresentam a tendência de se exteriorizar.
A maioria das mulheres faz a opção por um tratamento cirúrgico, mas é importante ressaltar que está comprovado através de estudos sérios que o risco de reincidência do problema existe.

Incontinência urinária

Um problema muito comum que compromete a saúde de milhares de mulheres em todo o mundo é a incontinência urinária. Sua principal causa é a fraqueza dos músculos que compõem o assoalho pélvico. Esses músculos deixam de desempenhar uma das suas funções que é a de sustentação dos órgãos pélvicos, com a descida da bexiga, a uretra fica parcialmente aberta, sendo assim, ocorre o esvaziamento involuntário da urina.
Durante a menopausa, os músculos do assoalho pélvico sofrem uma queda brusca no que diz respeito à força, portanto, as mulheres que estão dando início a essa fase, encontram as condições necessárias para sofrer com a incontinência

Para as mulheres incontinentes a fisioterapia tem muita a oferecê-las, como: a conscientização da contração muscular, conferi o fortalecimento necessário à musculatura que apresenta atrofia, orienta nas atividades de vida diárias, proporciona uma melhor qualidade de vida, e principalmente, aumenta a auto-estima.

Desempenho sexual

Um bom desempenho sexual garante a felicidade de uma vida a dois. Para tanto, é necessária a preocupação em relação à saúde dos músculos do assoalho pélvico. A sensação de pressão intravaginal que é sentida durante o ato sexual é garantida pelos músculos do assoalho pélvico, quando bem fortalecidos. Para que essa sensação seja mantida, a musculatura deverá sempre ser submetida à prática de exercícios, cuja finalidade seja a obtenção de força.
Os exercícios de fortalecimento mantêm o trofismo da vagina, diminuindo assim, as chances de ser gerada flacidez, que tem como conseqüência a diminuição da sensação de pressão intravaginal tão importante na hora do ato sexual e conseqüente diminuição do prazer.
O treino muscular é muito importante, pois aumenta coordenação motora desse grupo muscular, o que auxiliará a mulher na distinção da musculatura que deverá ser contraída.Uma boa coordenação motora trará bons resultados no desenvolvimento de manobras como a sucção e expulsão do pênis do canal vaginal durante o intercurso sexual.
Alguns acessórios podem ser úteis nesse trabalho de fortalecimento, como o Ben Wa e os Cones Vaginais.

Gestação e parto

Durante a gravidez, os músculos do assoalho pélvico sofrem uma maior pressão, no qual sustentam, além dos órgãos pélvicos, o bebê, e os anexos embrionários. Neste período, os MAP bem fortalecidos oferecem um apoio maior ao útero, reduz a pressão sobre a bexiga e melhora as dores lombares, que são comuns em gestantes.

Os MAP fortalecidos permitem uma recuperação maior e muito mais rápida após o parto, bem como previne as lacerações da parede vaginal que podem ocorrer no parto.

Cones vaginais

Cones vaginais são aparelhos que em muitos casos é usado no processo de reabilitação dos músculos do assoalho pélvico.
Estes dispositivos apresentam pesos variados de 20 a 70g ou de 20 a 100g. Eles têm forma anatômica para proporcionar o perfeito encaixe no canal vaginal, é revestido com plástico e contém um fio que tem a finalidade de facilitar a remoção do cone vaginal do canal onde o mesmo é inserido, ou seja, o canal vaginal. Um kit de cones vaginais é composto por cinco ou seis cones.
Para dar início a uma terapia com cones vaginais, a mulher necessariamente deve passar por uma avaliação do grau de força muscular dos músculos do assoalho pélvico e das condições da sua saúde ginecológica.
O maior objetivo dos cones vaginais é permitir uma atividade de contração muscular precisa, haja vista que para a sua manutenção no interior da vagina os músculos do assoalho pélvico devem estar em plena atividade. A terapia com cones vaginais deve ser iniciada com o cone mais pesado que a mulher seja capaz de sustentar no interior da vagina, à medida que ela vai progredindo, haverá conjuntamente a variação do peso do cone.
A terapia com cones vaginais auxilia a mulher na identificação e fortalecimento dos músculos do assoalho pélvico e garante um perfeito aprendizado para a realização de exercícios da forma mais adequada.

 

Eletroestimulação intravaginal

Uma forma terapêutica muito empregada no tratamento de vários transtornos apresentado pelo sistema muscular é a eletroestimulação.
Essa forma terapêutica, conta com um arsenal elétrico, que faz uso das correntes de baixa freqüência para obter um resultado positivo. Atua de forma passiva, ou seja, sob contrações involuntárias, e seu principal objetivo é auxiliar a mulher na identificação desse grupo muscular. Muitas mulheres não demonstram um conhecimento em relação ao controle motor dessa musculatura, essa modalidade terapêutica gera um estímulo elétrico que induz a musculatura do assoalho pélvico entrar em atividade.
A eletroestimulação funciona a partir da introdução de um eletrodo que apresenta aspecto anatômico e que se adapta ao canal vaginal ou no canal retal. Para facilitar a introdução do eletrodo, a terapeuta utiliza um gel hidrossolúvel com o objetivo de tornar mais simples e cômodo o posicionamento da sonda. A intensidade com que se deseja trabalhar vai depender necessariamente do limiar sensitivo de cada paciente.

Biofeedback

Muitas mulheres apresentam grandes dificuldades na hora de fazer as distinções das diferentes áreas do períneo para a realização de contrações. Assim, o biofeedback tem como objetivo fazer com que a mulher perceba que grupo muscular ela está trabalhando, conseguindo diferenciá-los.
A terapia com biofeedback é muito interessante, na medida em que, a mulher passa a ter conhecimento e controle da musculatura que ela está contraindo e a força que ela aplica no momento da contração.
Esse aparelho é composto de um monitor que capta a informação da contração e estabelece limites de contração e graus de força a ser alcançado pela paciente. A depender da resposta, ele induz a produção de maior força ou de maior duração durante a contração.

Exercícios para o assoalho pélvico

Os efeitos dos exercícios baseiam-se no desenvolvimento, na melhora, e na manutenção da força, da resistência à fadiga, da mobilidade, da flexibilidade, do relaxamento e da coordenação muscular. Os exercícios da musculatura pélvica são a forma de aprendizado para a contração e o relaxamento desses grupos musculares.